Há tempos eu não uso o carro regularmente para ir ao trabalho ou à faculdade. Já fui muito criticada, obviamente, por pessoas que não entendem por que raios alguém deixa o conforto de sua caixa poluidora de uma tonelada de metal movida sobre quatro pneus para se enfiar em uma caixa maior ainda, muito mais apertada, sem nenhum conforto, com dezenas de outras pessoas ocupando o mesmo espaço. Simples assim: quero fazer a minha parte.
Claro que o fato de eu me estressar muito no trânsito conta. Enquanto estou parada no congestionamento no ônibus, posso ler, ouvir música, jogar no celular, bater papo com alguém que eventualmente faça o mesmo caminho que eu. Mas o maior motivo é mesmo querer viver em uma cidade melhor. Não tem jeito, se 10 milhões de habitantes usarem o carro não tem como dar certo. Eu sei, o argumento preferido dos não adeptos ao transporte público é a falta de qualidade.
Sim, eu concordo. É ruim andar de ônibus em São Paulo. O Metrô é um pouco melhor, mas, em horário de pico, não ajuda muito. Mas aí vem o meu contra-argumento: quanto mais gente usar e reclamar o transporte público, mais pressão o poder público sofrerá para resolver o problema. Durante cerca de um mês, eu liguei diariamente a SPTrans para reclamar da linha que me leva à USP. Se foram as minhas reclamações eu não sei, mas que a linha voltou a ser menos ruim, voltou.
Uma vez fiz essa mesma manifestação no meu blog e um anônimo (já repararam que sempre que alguém quer criticar ela quer permanecer anônima?!?!) disse: você só defende isso porque mora no centro. Não é verdade. Eu ando de ônibus desde que morava em São Bernardo, trabalhava na Santa Cecília e estudava no Butantã. É uma questão de postura. Sim, é muito mais cômodo eu tirar meu carro da garagem e ir com ele diariamente até o trabalho e depois até a faculdade, mas se todos nós agirmos assim daqui a pouco 293 km de congestionamento não será recorde, será comum. Antes era muito absurdo o trânsito alcançar 170 km. Hoje isso é normal em qualquer saída de feriado. E só tende a piorar. Não tem jeito pra fazer um mundo melhor a gente tem de fazer a nossa parte.
Não, muitas vezes não é legal abrir mão do conforto pessoal e pensar no coletivo, mas é assim _E SÓ ASSIM_ que viveremos numa cidade mais habitável.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
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